sábado, 24 de julho de 2010

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Baseado em fatos reais

O cara está bem próximo da aposentadoria. Do alto de seus 60 anos, ele se sente terrivelmente sozinho, está viúvo há uns cinco anos, não tem filhos e, de repente, num momento agudo de sua solidão, decide tomar uns drinks num puteiro.

Lá ele conhece Janaína. A mulher é uma verdadeira deusa da Foda, um rabo do tamanho do mundo, pernas de um metro e meio, salto alto, e o rostinho... o rostinho de um anjo, olhos azuis de vidro. O nosso amigo, o ancião, em menos de dois meses está completamente alucinado – Deus (ou diabo) lhe enviou essa mulher, é ela, é ela... a mulher com quem ele passará os poucos anos que lhe restam nesse planeta!

Seis meses depois e ele continua a frequentar o trabalho de Janaína, toma seus drinks diariamente enquanto espera a namoradinha encerrar o expediente e ir pra casa dele com a boceta encharcada de porra.

Um ano se passa. Jonas, esse é o nome do nosso ancião, foi morar com Janaína no Paraná. Ela prometeu “largar a vida noturna” e agora eles moram na mesma casa com dois filhos da puta, frutos do passado amoroso de Janaína: João, seis anos de idade, e Marcos, 17, garoto precoce que também já tem um bebê de um ano de idade. Adivinha quem está pagando a conta? Tudo bem, tudo bem, Jonas, vamos lá... dinheiro não é tudo nessa vida... afinal ela é uma mulher tão boa, as coisas que ela sussurra no seu ouvido naqueles momentos tão especiais... mas Jonas ainda não está contente e, depois de alguns meses de boa lábia Janaínica, decide registrar o pequeno João como seu filho, o pobre bastardinho...

Mais um ano se passa... Para agradar a mulher, Jonas compra uma casa nova, bem maior, e coloca o nome de Janaína nas escrituras... O tempo vai passando e, aos poucos, as coisas começam a azedar – Janaína já não passa mais as noites em casa, sai para “beber com as amigas”, o demônio do ciúme começa a roer as entranhas de Jonas, as brigas tornam-se constantes, “não dá mais, Jonas, você é muito ciumento... eu não posso mais viver com você... acho melhor você voltar para São Paulo...”.

Hoje Jonas, nosso amigo solitário, mora em São Paulo, na periferia de Garulhos, aluga um quarto numa pensão fétida e sobrevive com o que resta da aposentadoria depois de pagar a pensão do Joãozinho e mandar sua “ajuda de custo” para Janaína e o netinho, afinal, como ela disse na última vez que eles conversaram por telefone: “a vida está tão difícil aqui no Paraná”.

II

Você quer impressionar sua nova namorada. Ela é do tipo intelectual – adora teatro do absurdo, cinema europeu, rock alternativo, leu meia dúzia de livros, enfim, você a convida para ir a uma peça do Zé Celso. Sexta-feira à noite, está tudo indo muito bem, vocês estão na primeira fileira, aquela porra-louquice toda, gente pelada no palco, tudo muito profundo e poético, até que um dos atores desce do palco e decide interagir com a plateia. O problema é que ele decide interagir com sua nova namorada. Pergunta se pode beijá-la na boca, ela sorri condescendente e smack! A galera aplaude, “Nossa! as peças do Zé Celso estão cada vez mais ousadas”, um jovem de óculos de aros grossos pensa lá na última fileira...

A peça termina e você, puto da vida, pede explicações para a nova namorada.

– Não enche meu saco! Não tem nada a ver... – ela diz irritada.

– Porra, como assim? O cara meteu a língua na tua boca na minha frente, caralho! Eu vou embora, tchau, vai tomar no cu!

No dia seguinte, ela liga esbravejando, alternando choros e indignação por você tratá-la daquela maneira, “todo mundo ficou olhando”, ela se sente humilhada, “você não tinha o direito de fazer aquilo”, snif, snif, buááá! Na semana seguinte você a encontra, pede desculpas e, para acalmar a situação e continuar obtendo o costumeiro serviço sexual, leva-a para jantar numa cantina italiana. Ela continua “indignada”, responde às suas perguntas com, no máximo, duas ou três palavras. “Pode deixar que eu pago a conta”, você diz enquanto limpa o molho de macarrão do canto da boca e, por um instante, você tem a leve sensação, uma sensação bem leve de que você é um otário.

III


(...)


Thomas Vinilla
©2010



quarta-feira, 26 de maio de 2010

Música de gorno

Diferente da filosofia pagodeira nos leva a crer, falar sobre relacionamentos humanos não é tão fútil ou inútil. É aquele microcosmo que incide diretamente no macrocosmo. A porra da Guerra de Tróia não me deixa mentir. Começou com um sujeito se sentindo um gorno e terminou em uma das maiores batalhas da Grécia e da humanidade. Obviamente, romantizar um pé na bunda e transformar e centralizar isso como prioridade é uma escrotice sem tamanho; na melhor das hipóteses. Na pior, bem...sempre temos um Lindenberg para mostrar o lado negro da cultura popular. Mas como nenhum tema, por mais clichê que possa soar, é imune a uma abordagem criativa e fora do senso comum, mesmo os gorninhos podem render boas manifestações artísticas. Vão dois exemplos aí abaixo:

http://www.youtube.com/results?search_query=no+way+pain+of+salvation&aq=f

There is no way that you can love her like I do.
Oh no, there is no way - I see through you.
'Cause when I hold her in the night,
All that is wrong will become right.
And I know that she feels it, too,
'Cause no-one loves her like I do.

There is no way that you could know her like I do.
Oh no, there is now way you'll ever do.
She is a flower of the wild,
Oh, and I have seen her from her darkest side.
She is a twisted little ride,
And you will never know her like I do.

But still I'm crying, feels like bleeding from two self-inflicted wounds.
Young and helpless, treading water in a cesspool of maroon.
Feels like dying, feels like dying... But I'll live!
But I'll live!
But I'll live!
But I'll live!

There is now way that you could touch her like I do.
Oh no, she thinks of me when she's with you.
She wants it gently like a child,
But play her right and she goes wild.
But one step wrong and she will hide.
And you will never touch her like I do.

There is now way that you can fuck her like I can.
Oh no, you're simply not that kind of man.
'Cause sometime when she's screaming no,
She really wants for you to go, go, go.
But you can never ask her why,
No, then she will close up and deny.

But still I'm bleeding this old road salt from my self-inflicted eyes.
Slowly scarring and corroding, to thaw this young heart of ice.
And I'm kneeling, yes I'm kneeling... But I'll live!
But I'll live!
But I'll live!
But I'll live!

I can see how you would need her to spice up your grind.
I can see why she moves you - knocks you out of orbit and mind.
And I can see how you need her to save you from yourself.
Unmeshing you from your grid, to dust you off on your shelf.

But I can't see why she needs you.
No.
I can't see that at all.
You'd have something that I don't?
Would that be possible?
Would that be possible?
Would that be possible?
Would that be possible?

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http://www.youtube.com/watch?v=rEcPHrN5GKE
Your Chosen Misery

When the ones you love have let you down
Feel failure and wear the fool's crown
Remember still there is a blessing
Within the hardest lesson

You self serving arrogant sycophant
Your selfish acts thoughtless tasks and livid rants
Every time you want to make the world go away
Just take an injection of your chosen misery

And when I fall
I have the strength to learn the steps
And crawl into the pain
Sometimes the mirror is cruel
If your mother gave the lesson
Never waste the truth

You self serving arrogant sycophant
Your selfish acts thoughtless tasks and livid rants
Every time you want to make the world go away
Just take an injection of your chosen misery

Yesterday was plagued with rain
Like seven drops of velvet pain
Hail yesterday
Thursday was the day of sin
Friday silent hell began
Hail yesterday

Saturday was plagued with rain - I played the jester perfectly, hail yesterday
Sunday never came to mind - I played the jester perfectly when misery delivered me
Monday's afterthought was blind - I played the jester perfectly, hail yesterday
Tuesday stole the show - I played the jester perfectly when misery delivered me

Hail yesterday
Hail yesterday

Tuesday stole the show when Wednesday killed the golden crow
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Por isso, nem mesmo passar um tempo com uma biscate é de todo inútil, a vaca pode lhe render inspiração para algo produtivo. Claro que isso pode não acontecer, nesse caso, jogue fexes na porta e nas janelas da casa dela durante a madrugada.
PS: "Não se preocupe, você terá outras mulheres e elas também irão te deixar" - Charles Bukowski

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Resposta a um ego perdido em si mesmo...

Se entrarem nesse link, verão um retrato lamentável do que é o jornalismo atual. Na ânsia pela fama, jornalistas querem se tornar notícia. Para tanto, enquanto o ridículo menos instruído pendura a famosa melancia no pescoço, o jornalista querendo dar aquele halo intelectual de seu ofício, tenta fundamentar argumentos tão ridículos quanto a própria melancia no pescoço. Os debilóides e acéfalos mais desavisados, entre eles, infelizmente muitos estudantes, se jogam de amores por alguém "polêmico".
É um pragmatismo oportunista. Não interessa a notícia, nem se os argumento são verossímeis; o que interessa é ser polêmico, ganhar holofotes e ter a fama de um não anônimo ou celebridade, tanto faz. Desrespeito, mau gosto, ofensas e ignorância sobre o tema abordado se tornam apenas ossos do ofício. O ego e a instantaneidade são o único objetivo.
Por fim, em um português direto: ego de jornalista é uma desgraça; fala sobre o livro como se fosse o autor, cobre show como se fosse líder da banda e se porta em festas como se fosse o anfitrião. Na impossibilidade se sobrepujar a figura indefectível de Dio em seu adeus, só sobra buscar holofotes tentando ser "polêmico". Mas no final das contas, falou como se estivesse criticando um desafeto em uma mesa de boteco. Lamentável.


Long live rock n roll, long live Dio!!!

quarta-feira, 5 de maio de 2010

design de cu é rola

obs: fotografia adulterada no paint brush

terça-feira, 20 de abril de 2010

Crítica ácida às metrópoles



A editora Panini traz um belo presente este mês para fãs de quadrinhos adeptos das temáticas mais adultas da Vertigo, divisão da DC Comics. Trata-se de uma versão encadernada reunindo as seis primeiras edições de Transmetropolitan - De Volta às Ruas (148 págs; R$ 45,00), escrita pelo britânico Warren Ellis e ilustrada pelo americano Darick Robertson.

Transmetropolitan tem como protagonista o jornalista Spider Jerusalém. Ele é um sujeito desagradável, rude, viciado em drogas e tendendo ao perigoso, mas quando ele escreve, tem o dom de encontrar a verdade, por mais que se esforcem para escondê-la.

Tudo começa com o anti-herói refugiado e recluso da humanidade em uma cabana nas montanhas. Ele saiu da Cidade – esse é o nome da metrópole – por começar a se sentir contaminado. Entretanto, por contrato, o jornalista deve mais alguns trabalhos para seu editor, a quem ele chama carinhosamente de "o grande cafetão". Eis que surge o paradoxo, pois Spider Jerusalém só consegue escrever no calor dos acontecimentos. Logo, o jeito é voltar para o centro urbano.

Hunter Thompson em Blade Runner

A Cidade é um palco alegórico e futurista, onde todas as neuroses das grandes metrópoles contemporâneas são elevadas de forma exponencial. Informações trafegam em nuvens, em quantidades vertiginosas, e os alimentos são feitos por sintetizadores mafiosos junkies.

No centro dessa confusão é que retorna Spider Jerusalém, um nome que faz os poderosos e até mesmo o presidente dos EUA perderem o controle de suas funções fisiológicas. Ele é esperto, tem conhecimento, é insubornável e assustadoramente subversivo para ser ignorado. Uma espécie de Hunter Thompson em Blade Runner.

É nesse contexto em que o escritor Warren Ellis, famoso por seus textos ácidos e certeiros, usará seu personagem – parecido demais com seu criador, aliás – para chutar o balde no que se refere à política, movimentos sociais, segregação racial, religião e consumismo. Tudo encaixado em um cenário onde reina o absurdo, mas aquele absurdo bem conhecido para quem vive em grandes metrópoles. Essa ambientação destaca principalmente o trabalho minucioso e expressivo do desenhista Darick Robertson.

Essas mesmas seis edições já haviam sido lançadas em português anteriormente, mas por duas editoras diferentes. Além disso, achar os três números iniciais era uma tarefa próxima do impossível. Vale lembrar que colecionar HQs no Brasil não é um hobby fácil. Descontinuidade, cancelamentos e mudanças de editoras são fatores que levam os leitores a arrancarem seus cabelos e ir adquirindo em doses homeopáticas o que sai por aqui de seus personagens favoritos. Quanto mais underground o título, pior fica.

http://br.noticias.yahoo.com/s/20042010/11/entretenimento-hq-critica-acida-metropoles.html