
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
22:40
Seus olhos guardavam uma serenidade inabalável. Inclinou levemente a cabeça para acender o cigarro e retornou ao horizonte do cotidiano sob a névoa de nicotina, observando tudo sem qualquer vestígio de inquietação. Dava goles esparsos e se deixava consumir em silêncio pelas euforias alcoólicas, enquanto abstraía todos os ruídos do mundo para se concentrar em uma única voz. Nada dizia. Escutava com um interesse sincero e raro, não permitindo ao interlocutor outra reação senão se apaixonar imediatamente por aqueles olhos.
Quando se punha a falar, as calçadas inundadas de bêbados juvenis se dissolviam com o barulho dos carros, restando somente a luz amarelada do poste a iluminar seus lábios finos. E logo, todos os sentidos se perdiam por entre as nuances da sua voz sem que qualquer palavra fosse esquecida. Era capaz de arrancar do coração um desejo pleno pela vida, desde que esta fosse preenchida com a sua voz, desde que as diversas manifestações do seu sorriso pudessem ser vistas todos os dias.
E no passar inebriado das horas, quando todas as paixões foram silenciosamente confessadas, deseja-se um único beijo antes que a noite a leve embora e a madrugada lhe corroa de saudade. Um único beijo para que toda a cidade tenha o seu perfume e os sonhos acordados dos dias seguintes durem até o próximo encontro.
Quando se punha a falar, as calçadas inundadas de bêbados juvenis se dissolviam com o barulho dos carros, restando somente a luz amarelada do poste a iluminar seus lábios finos. E logo, todos os sentidos se perdiam por entre as nuances da sua voz sem que qualquer palavra fosse esquecida. Era capaz de arrancar do coração um desejo pleno pela vida, desde que esta fosse preenchida com a sua voz, desde que as diversas manifestações do seu sorriso pudessem ser vistas todos os dias.
E no passar inebriado das horas, quando todas as paixões foram silenciosamente confessadas, deseja-se um único beijo antes que a noite a leve embora e a madrugada lhe corroa de saudade. Um único beijo para que toda a cidade tenha o seu perfume e os sonhos acordados dos dias seguintes durem até o próximo encontro.
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
A todos que comem lixo com uma finesse aristocrática. Os melhores artigos de predação popular estão no corredor da direita. Não tem erro, vocês verão pela genuinidade da dor exposta na vitrine.
Nobres glutões; devoram todo o brilho do mundo e o reconstroem à sua imagem e semelhança quando defecam. Conheço sua fisiologia, sua derme pútrida não suporta longa exposição à realidade.
Sei que a elite de sua corporação de repressão não perdoaria um toque libidinoso desprovido de joguetes e fins comerciais. Seria banido sob pena de reclusão mental, a base de inibidores químicos.
Na última semana um indigente foi levado para uma autópsia recreativa da jovem elite intelectual. Não conseguiram disfarçar o espanto, mesmo com os manuais de etiqueta, quando descobriram 20 moedas de ouro ao abrirem o coração daquela carniça anônima.
Como abutres políticos, tentaram regulamentar a exploração em nível fisiológico do vulgo. Evidentemente não compreenderam quando ao abrirem o segundo coração desprovido de nome encontram um jardim de bonsais.
Sob que ciência se legitimava essa anomalia? Seria ilegal guardar tesouros escondidos no coração, sem a devida taxação? Por deus, a que tipo de corrupção as classes baixas podem chegar?
Logo, haverá tributação sobre todo refúgio belo e particular revestido por 21 gramas de músculo. Os sacerdotes dirão que é pecado ostentar beleza não previamente aprovada por censores morais.
A única perspectiva permitida é a do olhar condicionado. Qualquer outra será prontamente repreendida com a desintegração em nível mental, como requer todo ato de subversão que abale a harmonia do mundo.
A lei do meio termo é sempre o guia vigente para qualquer problema. Branco não é permitido. Preto não é permitido. Cinza é a única cor possível; cinza é tudo o que deve ser sentido; cinza é a cor de Deus.
sábado, 20 de agosto de 2011
Vou provar pra você que é possível comer lixo e fazer arte. Que você pode queimar os livros da estante, beber um litro de vodka e vomitar do vigésimo andar. Que é melhor ser samambaia que poeta. Mínima dos ovários: 13ºC. Máxima: -130ºC.
Vou provar pra você que é possível cagar na porta do paraíso E que não há nenhuma metafísica nisso.
Existe um inferno no microondas. Existe um som que perfura o hímen e o tímpano.
Se lembra da nossa salada de ratos? Do nosso filho que não veio ao mundo? Sabe, o que me entristece é perceber que espirro igualzinho ao meu pai – o mesmo som, a mesma quantidade de muco lançada à mesma distância.
Já disse que às vezes sinto gosto de apocalipse na boca? Já disse que me dissolvo em manhãs frias?
Em 1996 eu fumava maconha no topo dos prédios E amaldiçoava todos os helicópteros lá de cima.
Onde começa e termina o desespero? Quantas eternidades?
A relação tempo-espaço é uma brincadeira de mau gosto. O tempo não vai curar essa ressaca.
Enfim, A chuva ácida dos sonhos...
Hamilton Fernandes agosto/2011
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
Qualquer semelhança com fatos ou pessoas reais é mera provocação
Gazeta Pueril – dezembro de algum ano.
Artista performática underground rouba cena em festival
Em mais um ano de existência, o festival Avant Garde SWO, foi palco de uma grande surpresa na tarde de ontem. A expectativa inicial era a apresentação da banda paulista Franjinhas do Bem, de indieemopostrock. Entretanto, não foi o palco principal o que mais brilhou, sendo a tenda dos artistas undergrounds a ladra dos holofotes. Lá, por volta das 15h, a até então desconhecida e inexpressiva Nazaré de Jesus, apresentou um show sinestésico , e em pouco mais de 50 minutos angariou uma verdadeira multidão, atraída pela excentricidade do que acontecia na tenda. Estima-se que 75% do público daquele dia do festival tenha se aglomerado para ver a grande revelação da programação.
Um misto de música, artes cênicas, plásticas, coreografia e literatura fisgou a grande maioria do público. Paula Pirandelli, estudante de publicidade, assistiu toda a apresentação e afirma que possui um novo ídolo. “Foi algo único, o jeito como ela se movia e recitava aquelas palavras deixou todo mundo de queixo caído. Eu tinha ido até a tenda menor para ver a exibição de um curta de um amigo e resolvi o show seguinte, e para mim foi o melhor que vi até agora”. Para o redator Tiago Orno, a mensagem que ela passou é exatamente o que a juventude buscava no festival. “Foi incrível como ela traduziu em arte aquilo tudo que a nossa geração tinha de carência. As imagens e as cores mostraram um novo elo de ligação sustentável entre nós e o planeta. Me senti parte de algo maior”.
Ainda não é confirmado, mas rumores indicam que a gravadora Banner Wros já estaria sondando a artista, com um contrato prevendo gravação de álbuns, DVDs e patrocínio de apresentações. Nazaré de Jesus deixou o local do show logo após a performance e quando procurada não retornou ao contato da Gazeta Pueril.
Portal Galerinha Jovem e Descolada – maio de algum ano + 1
Nazaré de Jesus: a porta voz da nova geração.
Cáso Hic
Desde aquela histórica apresentação no segundo dia do Avant Garde SWO, a artista Nazaré de Jesus se tornou o estandarte não só dos jovens, mas de todos os que desejam mais poesia em suas vidas. Acostumada com pequenos pubs e espaços alternativos para suas performances, agora o novo baluarte da cultura brasileira está experimentando a atmosfera de grandes teatros, mega stores e até mesmo estádios. E a aprovação do público é instantânea, com lotação máxima em todas as datas. Como aconteceu esta noite no estádio Pacaembú. Mais de 300 mil pessoas se amontoaram para assistir o que tem sido chamado, por público e crítica, como a nova aliança entre artes e vida.
Segundo o crítico de arte Gerard George, o fato da performance de Nazaré ocupar até mesmo sua vida fora do palco rendeu a ela uma unanimidade entre os adolescentes e jovens adultos. “(Ela)é sem dúvida um novo arquétipo da arte. E o fato dessa verdadeira vanguardista ser brasileira nos deixa atônitos de orgulho. Em suas declarações e postura fora dos palcos, fica claro que a mensagem na sua produção não é restrita ao espaço lúdico de uma exposição. Ela vestiu os anseios do ultrapostmega modernismo, e isso faz com que o seu público - considere-me dentro desse grupo - a veja como uma divindade”.
O ponto alto do show foi a multiplicação holográfica de espécies de fauna e flora em extinção, com uma reprodução da Capela Cistina ao fundo, e acompanhada pelo grande hit musical da artista, Bem Aventurado Sejam os Mortos.
PS: A saga de Nazaré de Jesus no circuito mainstream continua no próximo post...
quinta-feira, 23 de junho de 2011
Trecho de Warren Ellis ensina a roteirizar

"Tranque seus gibis num armário por enquanto. Você vai à biblioteca. Não se pode aprender a escrever lendo gibis. Você vai ler alguns livros de verdade por enquanto. Assim é como todo escritor que conheço aprendeu a escrever: estudando grandes escritores e aplicando as lições aprendidas para seus próprios interesses e objetivos. Você não conseguiu Alan Moore sem Thomas Pynchon, você não conseguiu Eddie Campbell sem Henry Miller, nenhum Grant Morrison sem William Burroughs. Olhe o modo como escritores sérios estruturam suas histórias. Olhe o modo como apresentam o diálogo. Olhe os efeitos que eles conjuram, e esquematize como eles fazem isso. Fique um tempo com Dickens. É, é, eu sei. Cale a boca. Ele tem aplicação especial nos Quadrinhos, porque Quadrinhos ainda são uma forma seriada, e Dickens é o escritor da língua inglesa mais eficiente neste formato que já existiu. O ponto é: entenda como os meninos e meninas grandes colocam palavras juntas no Mundo Real. Ache o que você gosta. Encontre o que funciona para você. E traga isso de volta.
Agora você pode desenterrar seus gibis de novo. Porque você vai destruir suas chances de jamais ter um simples divertimento com eles de novo. Você vai se sentar com aqueles que acha que são realmente bons e vai rasgá-los para descobrir o que está dentro deles. Frank Miller não conseguiu ser Frank Miller até que rasgou e abriu Will Eisner e Johnny Craig e Bernie Krigstein e todas as outras malditas coisas em que ele colocou suas mãos – e descobriu como funcionavam. Você vai ler e apontar e anotar e olhar fixamente pra essas coisas até nunca mais querer vê-las de novo (o efeito se desfaz em uns dez anos).
Você no momento tem quatro ferramentas-extra disponíveis consigo. E pode se considerar sortudo pra cacete por tê-las, porque elas não estavam por aí quando eu era um garoto, vivendo numa vala ao lado da estrada.
São livros". fonte (http://opusdeyvid.blogspot.com/)
quinta-feira, 16 de junho de 2011

O trem ganha velocidade,
Os olhos se cerram,
O caos emerge,
A fumaça expele cânticos de dor,
Uma lágrima é derramada,
Os oceanos se formam e fluem em seus leitos,
Almas são despejadas no forno,
Uma lufada de vento bate no seu rosto,
Correntes de ar se avivam,
A locomotiva se aproxima do túnel,
Um passaro canta em seu ouvido,
Homens e animais crescem,
O bólido não passa pelo outro lado,
Os olhos se abrem,
A luz consome tudo em uma epifania desmemoriada
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