segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

palavras para evitar câncer




você atravessa o mundo como uma bala para

aliviar a dor e se perde no vácuo, num lugar em

que ódio, amor, nada mais faz sentido...


o seu desespero se disfarça de felicidade

enquanto você se engana confortavelmente...

(como é confortante o auto-engano, não é

mesmo?!)


o seu desespero se disfarça de felicidade

enquanto as lágrimas escorrem e você se

pergunta o que há de errado... eu sei o que

está errado: o inferno está dentro de você,

dentro de todos nós... seja bem-vinda ao mundo

da dor, querida!


eu tenho uma solução para seus óvulos, para sua

loucura: amarre suas trompas, extermine a

humanidade, abençoe sua própria solidão e

procure pela Lua nessa noite de céu nublado...


tudo está contido nessa noite, nessa grande

metáfora, nessa infelicidade incrustada

nos ossos, nessa mentira que embolora nossas

bocas todos os dias...


adeus! eu vou embora e permanecerei vivo,

carregando uma lápide de quarenta quilos

sem nenhuma mensagem final...

sem nenhuma solução...


Hamilton Fernandes

©2009


foto de Michele Santarsiere --

www.devilsoap.com

sábado, 12 de dezembro de 2009

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Noite


Sujeito esquálido de dedos amarelos, entre logo naquele orelhão e faça sua ligação para deus. Não há tempo para desperdiçar quando as garotinhas de vestidos curtos ainda exalam o furor de suas juventudes maliciosas e desviam-se dos mendigos famintos com a astúcia de velhas prostitutas. Deixemos estas ruas imundas, estes seres trôpegos de corações acelerados, e voltemos à sucursal do inferno, onde os diálogos absurdos se alternam entre goles de álcool e desejos sujos que deixamos escapar por entre os lábios. Compartilharemos as euforias de nossas vidas modestas e talvez possamos encontrar um mísero instante de iluminação.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Cadáver Esquisito




Por Hamilton Fernandes e Helio Hideki



O desespero azul de um terminal vazio

O abismo que o recém-nascido desconhece – e também eu


O desabamento do céu da gengiva

Corrimentos vaginais na calçada


Que me importa o formato de seus pelos púbicos, se

Eu posso rasgar o aço com minhas próprias mãos


Os livros e os bons filmes e os dias de céu limpo e

as vaginas sedentas por

sexo não me confortam


Um mundo imundo – um cérebro-intestino


Os ônibus carregando os trabalhadores de volta para casa,

[os bebês dormindo, bajulados,

[vivendo, esquecendo, esquecendo...


O Universo foi calculado errado...



*-------------------------*---------------------------*



Pedaços de ilusão – um buraco sem fim

O câncer corrói as entranhas do velho decrépito, que geme, sozinho,

A aritmética do lixo, das formigas carnívoras

Pra rabuda que passa, sou menos que nada

E uma vagina no umbigo e na testa


Além das nuvens, Júpiter, Saturno, os marcianos

Esperando uma resposta sem sentido


Resignado, o homem-cão fecha os olhos diante do choque

inevitável – a verdade, a libertação


Porque as drogas da farmácia não podem curar a dor...


Embriagado, as luzes de néon confundem-me e

Ainda não inventaram um deus para sua solidão.




Poemas escritos a partir da (anti-)técnica dadá-surrealista Cadavre exquis

(Agradecimentos especiais à Cervejaria Krill por fabricar cervejas tão vagabundas e baratas...)



terça-feira, 6 de outubro de 2009

Conto Podre

O telefone.
– E aí, velho, tudo certo?
– Tudo bem, cara...
– Aí! Se liga! Colaí em casa a-go-ra! Tem uma surpresa te esperando!
– O quê?
– Cola aí, velho!

O cara do outro lado da linha é Sander – um cara viciado em cocaína que conheço há dez anos e na semana passada me fotografou comendo sua esposa, aliança de ouro, casamento no civil, igreja e tudo mais, no sofá da sala, ela fingiu que não sabia o que estava acontecendo no começo, arrebitou a bunda, estava um pouco bêbada e o Sander ficou lá de pau mole, totalmente cheirado, tirando fotos e tentando levantar o pau com as carícias da boca da esposa enquanto eu metia por trás naquela cadela e ele dizendo “só não come o cu porque esse cuzinho é meu, certo?”, era o que ele dizia, ok, tudo bem Sander...

Mas isso foi na semana passada...

Toco a campainha.

– E aí, meu irmão! – me recebe com um abraço. – Chega aí, chega aí, abre a porta do quarto devagarinho e dá uma olhada...

Na cama de casal, dormindo como uma pedra, está a cunhada do filho da puta, largada, pelada debaixo das cobertas, apenas a cabeleira negra esparramada no rosto, de bruços...

– Não te falei?! Hã? – e explode numa gargalhada cínica enquanto fecha a porta e tira um punhado de papelotes do bolso. Um Dreher repousa em cima da mesinha no centro da sala.
– Calma lá, Sander! Que é isso, cara? – não consigo segurar a risada. – O que essa mina tá fazendo aqui?...
– Foda-se, mano! Toma um conhaque e dá uma olhada nesse dvd que eu peguei – um filme sobre Bob Dylan na televisão. Ele aumenta o volume.

O conhaque começa a amortecer meus miolos, abro a porta do quarto e ainda ouço o filho da puta rindo e murmurando na sala vai lá vai lá vai lá...

Paro ao lado da cama. Ela desperta de repente, ainda um pouco embriagada pelo sono.
– Oiiiii...
Vou direto ao assunto:
– Quer gozar?
– Só tava esperando alguém...

Uma caverna quente, musgos e saliências... Um mar de lubrificante humano que poderia besuntar todas as máquinas, pistões e correntes de bicicleta, todos os malditos volkswagens, fords e chevrolets desse mundo, e viva o progresso, camarada, viva, três vivas, eu mesmo sou uma máquina e nunca mais quero sair desse abismo quente, escorregadio e cheio de musgos.

Toca o telefone, o celular... Ela se estica para alcançar a bolsa sem sair de cima de mim, engatada ainda, atende:
– Oi, amor...
– Oi, chuchu! – dá pra ouvir a voz do cara vazando pelo aparelho. – Viu, vou demorar um pouco pra sair aqui do trampo... Você já foi buscar a Dani na escola?
– Não, ainda não fui, não deu tempo. Acabei de passar no mercado, tô fazendo xixi aqui no banheiro... – e dá uma reboladinha em cima do meu cacete, que agora começa a murchar... Que merda, como é que pode uma vagabundice dessa, como é que pode, meu Deus?! Chega a ser engraçado... Desengato minha pica daquela merda de buceta e começo a sentir raiva de mim mesmo... Como posso ser iludido tão facilmente por uma merda dessa? O que eu estou fazendo aqui, caralho? Me responda, meu caralho, como você pode ser tão cego, hã? Haha!

Ela desliga o telefone.
– Tenho que estar em casa às sete...
– Desencana, eu também tenho que ir embora...
– Você não ia me fazer gozar?

Ok! Eu vou te fazer gozar, sua putinha de merda, mas dessa vez não sairá porra do meu pau, dessa vez sairão balas de rifle dessa pica, tá entendo? Vou te foder e a cada estocada que eu der espero que saia um tiro de 9mm, um míssil, uma porra cheia de radiação nuclear que fique guardada nesse útero seco e que contamine as próximas duas, três, cinco gerações que surgirem desse ventre podre! É isso aí, “meu amor”! Aí vamos nós! Leva um pouquinho desse leite e alimenta tua filha, teus netos, bisnetos, leva um pouquinho desse leite e mistura no creme de barbear do teu marido e diga a ele o quanto você o ama todas as vezes que ele chegar em casa depois do trabalho!

Espero sentado no sofá enquanto meu amigo, o debiloide cocainômano, leva a cunhadinha até a portão. 6:10 da tarde. O sol se põe lá fora e o céu está cinza, carregado de nuvens podres... Córregos e rios poluídos refletindo a nossa imundície... e eu não consigo mais me concentrar nesse filme do Bob Dylan...

Notlimah Avlis

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Autobiografia em uma lauda


Foi quando eu vivia no fundo do oceano que descobri o poder destrutivo de minhas mãos. Era uma madrugada de fevereiro depois de Cristo. Hoje tudo que eu toco vira pó, fogo, hecatombe...

Os sinos tocaram ao meio-dia quando tudo explodiu. Eu sorria sozinho, cansado, segurando um girassol azul. Meus ovários foram extirpados pelas mãos hábeis de uma deusa hindu. Meu coração foi mastigado por um tigre siberiano e oferecido aos filhotes. A dor que senti foi levada ao céu ao sétimo dia e descrita num formulário da companhia universal de esgotos. Nunca mais consegui dizer esta palavra – AMOR.

Meu pai me fazia cumprir uma dieta rigorosa de terra, cacos de vidro e ratos. Vomitei tudo aos 21 anos de idade numa dissertação intitulada “A origem do universo e os corrimentos vaginais”. Amei mulheres em silêncio. Matei coisas e pessoas dentro de mim. Ainda amo palavras e ideias de origem incerta... É por isso que insisto em escrever.

Alguns amigos adoeceram junto comigo da solidão, da angústia do novo século. Em cada ruga facial, em cada máquina estúpida, em cada bugiganga eletrônica e vazio sentimental que surge está a marca do mal inominável que nos aflige. A Era de Aquário é na verdade a Era dos Esgotos, a Era do Tetra Pak, de tudo o que não pode ser aproveitado...

Ainda assim, os seres aquáticos que habitam nossos sonhos permanecem vivos e uma, duas, três mil estrelas explodem em algum lugar do Universo neste exato momento... As regiões abissais da mente... Uma nova rachadura no ovo cósmico... A extravagância do caos... O pensamento atravessa a galáxia de ponta a ponta dez mil vezes mais rápido que a velocidade da luz... E dificilmente você conseguirá brecá-lo... Porque a morte não é mais o limite!


Hamilton Fernandes

Imagem: Nebulosa da Hélice - hubblesite.org


segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Lembranças da última noite de insônia

Esses ruídos noturnos. O silêncio da lâmpada solitária não esconde o ranger das tábuas do chão, o balanço da porta pelo vento furtivo. E no saltar sereno das linhas de um livro, esses ruídos noturnos parecem anteceder o estrondo iminente.

A leitura é descontinuada. Os olhos se fixam no vazio e forçam os ouvidos a absorverem o menor dos vestígios. Um novo ruído e o coração dispara. A mente se põe a fabricar hipóteses que em outra ocasião pareceriam inverossímeis.

O dia encobre os ruídos suspeitos. Encolhem-se sob os barulhos facilmente identificáveis. Mas a noite cessa a memória auditiva. E esse universo de pequenas existências sonoras passa a povoar as noites de insônia daqueles que não têm na audição o melhor de seus sentidos.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

sexta-feira, 24 de julho de 2009

%



Um publicitário é o único cara capaz de transformar um sabão, um detergente em pó em uma muda de árvore. São as maravilhas da computação gráfica. (Pois é, acabei de assistir a mais um comercial escroto de uma empresa “que se preocupa com o meio ambiente”). Na verdade, estou desperdiçando meu talento. Deveria trabalhar na televisão. Sou um gênio televisivo e sei do que o telespectador precisa:


A nova novela das 8... CRA-CO-LÂN-DIA!
Lenira é uma menina de 10 anos que vive no sertão brasileiro. Ela não suporta mais os abusos sexuais de seu pai e vai tentar a vida na cidade grande. Não será nada fácil! Depois de chupar trinta e cinco caminhoneiros, ela chega a São Paulo e acaba na Cracolândia! (– Me dá mais uma rocha, Alemão! Cenas de Lenira sentada na calçada fumando pedra em um cachimbo improvisado).

Mas ela ainda não conheceu Ricardo, um jovem pastor evangélico muito louco que vai dar uma vida
de princesa para essa garota (– Senta aqui no meu colo, vem Lenira! Eu te amo! – diz ele após um culto, numa salinha reservada da Igreja Suprema do Supremo Senhor Universal.)

OU

Mutantes – A Nova Geração
Esses mutantes alucinados vão arrasar a cidade! Michael usa os super-poderes de seu ânus para engolir e mastigar executivos, donas-de-casa, motoristas de ônibus e quem mais surgir na sua frente! (Aparece o ator abaixando as calças e seu ânus é projetado para fora, uma coisa imensa do tamanho de um orelhão telefônico e um homem de terno é sugado pelo gigantesco reto e cuspido logo em seguida como uma massa disforme de carne, ossos e gosma anal).

Seu amigo Jandir também está cansado do sistema e vai dar uma surra de pica na galera! (Jandir abre a braguilha e seu pênis cresce, atingindo o tamanho de um caixa eletrônico. Ele espanca duas velhas em um shopping center com a glande de seu membro).

Varusca é uma jovem ambiciosa que quer crescer na vida. Ela manipula os homens com seu poder de fazer surgir vaginas dentadas em qualquer parte de seu corpo. (Um homem engravatado fode a sola do pé de Varusca no escritório. Quando começa a gozar, solta um grito terrível. Varusca dá uma gargalhada diabólica.)


Por hoje é só pessoal!

Um grande abraço a todos vocês!
E não deixem de acessar o nosso site – www.analorgia.blogspot.com, ok?

Notlimah Avlis


Imagem adulterada por James Cauty - http://www.cnpdonline.com/

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Diálogos pós-modernos

- Alô

- Alô, alô, minha filha, é você minha filha, fala comigo...

- Mãe, sou eu. Por que a senhora está nervosa? O que houve?

- Ai minha filha, que susto que eu passei agora, ai calma... Ufff... Ufff... Ufff

- Mãe? A senhora está bem? Mãe!?

- Alô minha filha, aqui é seu pai! A sua mãe está com falta de ar. A sua mãe... O que foi aquilo, minha filha. O que diabos aconteceu com ele? Minha nossa senh...

- Pai! O que está acontecendo? Não estou entendendo nada. De quem voc...

- Minha filha, seu pai está muito nervoso... Ufff... Ufff... – Nós não acreditamos quando vimos aquilo. Minha filha, eu tenho oitenta e sete anos de idade e seu pai tem problemas no coração. Meu bom deus, oitenta e sete anos... Eu não posso passar por isso. Ai, ai, fala com ela Aurélio. Meu braço ta doendo Aurélio.

- Mãe? A senhora está bem. Fique calma. Estou indo para...

- Não venha! Não venha! Eu já tranquei as portas e não vou abrir tão cedo. A sua mãe está muito perturbada... Ela tem oitenta e sete anos de idade e eu tenho duas pontes de safenas. Eu tô cansado minha filha. Muito cansando para este tipo de susto – Carmina, fica deitada aí. Eu falo com ela. Não, fica deitada, fic...

- Meu deus, o que tá acontecendo?

- Alô minha filha...

- Mãe?

- Filha, é sua mãe que está falando. Olha, nós te amamos muito... Nós te criamos com todo o carinho. Nós criamos você e sua irmã para serem boas mães, boas...

- Mãe, não chore. Eu sei de tudo isso. Não se...

- Minha filha. Eu nunca tinha visto aquilo antes. Como é possível, meu bom deus, como é possível aquilo? – Calma Aurélio, eu estou melhor. Não, não vou tomar outro remédio. Senta aí – Minha filha. O seu filho passou aqui...

- O Ricardinho? Mas hoje é sábado, é dia dele...dele... ai não

- Cristina, minha filha, nós estávamos na sala...

- Mãe, calma, eu posso explicar. Eu...

- Cristina, nós estávamos na sala! Eu não escutei a porta se abrindo. Cristina, meu ouvido esquerdo não funciona bem. Eu vi do meu lado, ai meu deus. Era o Ricardinho, Cristina. O seu filho estava de batom!!! De batom, Cristina. Ele... – Aurélio, volta pra cama, não...

- Cristina, por que o Ricardinho estava vestido de mulher, Cristina? Ele é homem! HOMEM! Por que seu filho veio aqui de vestido e peruca loira? Que desgosto Cristina.

Eu me recuso a escrever um poema, seria ridículo. Finalmente o artista foi reduzido ao pateta, ao albatroz capturado, desengonçado na proa do navio (Baudelaire). Esta é a época do nada, do niilismo (século XXI). E se a poesia é resistência (Bosi), que comece então rasgando o discurso da propaganda, do design, que ela inspire os assaltantes de banco, os vagabundos, que ela vá para o deserto e para os planetas e para as estrelas e para a vagina, sem rimas, que ela dê saltos maiores que a leis da ciência permitem, que ela seja um peido na cara de Aristóteles, um haikai sobre os pássaros, os sapos e as cigarras que anunciam o fim de tudo...
Que se fodam as vírgulas e as aulas de literatura nas grandes universidades e as análises acadêmicas das obras dos grandes poetas e as futuras professorinhas de literatura. O inimigo não vacila. O inimigo está em todos os lugares, a todo momento, o inimigo é onipresente, o inimigo é o Deus que entrou pelo seu rabo e faz você acreditar que está velho demais para mudar alguma coisa, afinal não existe mudança, reze, faça uma bela oração agradecendo o seu salário mínimo, o ônibus lotado, as prestações da casa própria, do carro popular, a vida que passa e que a morte seja piedosa contigo seu filho de uma puta...
(Não se engane -- eu não estou cansado -- comprei um revólver calibre 32 hoje de manhã -- uma bosta, o projétil não atravessa nem um crânio humano -- assista a um filme pornô, veja como eles gozam... aquele orgasmo de plástico, aqueles gemidos falsos, aquela porra tão vazia como qualquer
cinemark, como o "eu te amo" que você ouve todos os dias...)

Notlimah Avlis

Imagem adulterada da Revista Leg Show, edição janeiro 2009, pág.49

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Sem querer bater de novo na tecla de republicar notícias, mas essa merece!!!


VARG VIKERNES Is A Free Man! - May 22, 2009

Varg Vikernes (a.k.a. Count Grishnackh), the former BURZUM mastermind who was convicted of murdering MAYHEM guitarist Oystein Aarseth (a.k.a. Euronymous) in August 1993 and setting fire to three churches, is a free man.

"I can confirm that I have been released from prison," Vikernes told Norway's Dagbladet.

Although his parole application was denied four times — most recently in September 2008 — Vikernes received word in February that he would be released after serving almost 16 years in prison. He was finally allowed to leave a couple of weeks ago, according to Dagbladet.

"I will have to report [to the parole officer] for one year — initially every two weeks, and then once a month," Vikernes said.

For the past couple of years, Varg had been allowed to leave the prison regularly to walk around Tromsø, Norway (where the prison is located) and visit his family.

Last year it was reported that case workers at the Justice Ministry feared that Vikernes would be unable to adjust to life on the outside after his years in jail.

"I'm ready for society — and I have been for many years," Vikernes told Dagbladet last July. "I have learned from my mistakes and become older. Now I just want to be together with my family."

He added, "My mind has never been in prison; I think all the time about what I should do on the day that I am released.

"I have barely seen my son since he came into the world. Even though I hear his voice on the phone almost every day, it is very tough to not be present while he is growing up.

"I miss my family. And I look forward the day that I could work on my farm, create music, write books and be with the wife and kids around the clock — and live a normal life.

A photo of Varg Vikernes's new home in Bø, a municipality in the county of Telemark, Norway, can be viewed below (picture courtesy of Varden.no). Vikernes purchased the farm sometime last year and is planning to spend most of his time on the property with his French wife and son, both of whom had already been living at the home for quite some time.

"As I respect others, I want others to respect me," Varg told Varden.no last summer. "We are really quite ordinary people, and we do not want any more attention than anyone else."

Jackson Rathbone, the teen heartthrob from "Twilight", has reportedly agreed to play Vikernes in the upcoming movie "Lords Of Chaos".

Based on Michael Moynihan and Didrik Soderlind's book of the same name, the film depicts true events and revolves around the black metal sub-culture that spawned a wave of murders and church arsons across Norway in the early 1990s.

Making his English-language debut with "Lords Of Chaos" will be hot Japanese director Sion Sono.

Stuart Pollok of Los Angeles-based Saltire Entertainment, Ko Mori of Eleven Arts and Oh Jungwan of Korea's Bom Productions are producing the film, which starts shooting in Norway in mid-September.

In a 2004 statement posted on the Burzum.org web site, Vikernes slammed the "Lord Of Chaos" book as "a pool of mud," insisting that "the vast majority of all the statements made in this book are either misinterpretations; taken out of context; misunderstandings; malicious lies made by enemies; a result of ignorance; extreme exaggerations; and/or third-hand information at best. This includes the statements attributed to me!" He went on to say, "This book serves only one single purpose and that is to create a myth around my name and to mystify me. If that was their objective they have indeed succeeded with their work. Well, the book seems to have served one other purpose too. The authors have managed to fill the heads of a generation of metal fans with lies. What could have been a righteous revolt has been made into some pathetic, embarrassing, brain-dead, impotent and traditional poser-culture best exemplified by bands like DIMMU BORGIR — and indeed VENOM!"

FONTE: http://www.roadrunnerrecords.com/blabbermouth.net/news.aspx?mode=Article&newsitemID=120605

quinta-feira, 21 de maio de 2009

sexta-feira, 8 de maio de 2009









Fotos de Notlimah Avlis_2009






quinta-feira, 16 de abril de 2009

As redações de jornais do futuro serão bolsas de valores da informação

Trecho retirado da reportagem "O avanço do jornalismo clickstream" (íntegra), escrita por Andrew Currah:

"À medida que jornais e empresas de radiodifusão avançam online, elas estão encontrando novas formas de julgar o que torna grande uma história. Usando as mais recentes tecnologias de "análise da Internet", os editores agora podem monitorar os rastros do "clickstream" - (fluxo de cliques) uma medição do que seus usuários optam por ler, assistir e compartilhar. As redações agora contam com telas planas gigantes suspensas do teto e pequenos aparelhos de mesa que inundam seus funcionários com um fluxo impiedoso de estatísticas da internet. Nunca antes o jornalismo de mercado foi tão visível."

terça-feira, 7 de abril de 2009

Explosão de mil sóis



Havia mil sóis dentro de mim,
pungentes, orgulhosos, expelindo plasma,
a fusão interna e atração externa eram quase insuportáveis,
minha derme vinha fraquejando nas últimas eras,
eles queriam sair, o instinto surgiu, mas sem método,
não pude guia-los, não soube como,
e o tempo não havia sido suficiente para a expansão de matéria,
não houve novos planetas, sistemas e nenhum tipo de vida,
...só a explosão dos mil sóis!
Cem milhões de bombas de hidrogênio, cada um,
o momento de maior poder da minha existência,
por instantes a contenção parecia um ato ridículo,
até a minha própria casca ser pulverizada,
e o meu eu se confundir com as chamas e radiação.
Tudo o que existia em volta foi pulverizado,
consumido pela vontade de expansão do fogo.
Mas logo o fogo espalhou-se em nada,
e o nada consumiu o fogo.
Quanto a mim, permaneci uma casca deformada e vazia,
vagando sem rumo pela matéria negra do espaço,
sem energia, sem sol, sem fogo, sem vontade,
oco e exaurido.
Fui mais temeroso quando tinha mais poder,
me senti mais poderoso quando a energia me deixava,
tão certo não irá voltar,
tão certo agirei tanto quanto nada,
mas não sou nada, nem sol,
eu vago...

sábado, 4 de abril de 2009

A série Diálogos Impensáveis Há Meio Século Atrás apresenta: Eu preferia quando as virgens eram suicidas, e não pervertidas

* - the sound of silence... diz:
ja viu essas vagabundas q ficam leiloando a virgindade na internet
- MacCuchton diz:
jah
- MacCuchton diz:
a ultima aquela romena era maior baranga
- the sound of silence... diz:
meu os caras tem q ser muito burros para pagar uma fortuna pra trepar com uma mina q não sabe trepar, q num sabe o q fazer com um peru na mão e outros lugares...
- MacCuchton diz:
mas eles comem pq é apertadinhu
- MacCuchton diz:
neh ow
- the sound of silence... diz:
é só pegar um tailandesa q pratica pompoarismo e pagar 20 conto pra ela q vc vai ver a coisa mais apertada desde o metro quadrado na China!!!
- MacCuchton diz:
mas num sangra
- MacCuchton diz:
tem todo um lance de vc alhar pra mina e ver as reações dela dando pela primeira vez uahahahahhaa
- the sound of silence... diz:
bela merda, geralmente todas elas odeiam a primeira vez, aliás deve ser por isso q tão vendendo...
- MacCuchton diz:
vc ta com inveja pq num tem dinheiro pra pagar uma dessas
- the sound of silence... diz:
isso é burrice e contra a lógica...digamos q vc queira matar um cara certo? vc contrata um sujeito q nunca empunhou uma arma ou um profissional???
- MacCuchton diz:
comparação idiota
- MacCuchton diz:
num vou comer o assasino

*as identidades dos envolvidos foram preservadas para assegurarem as respectivas integridades em caso de retaliação dessa juventude demente, afetada pela radiação, a chuva ácida e o sexo virtual
**a grafia chula do msn foi mantida para comprovar a veracidade do diálogo

domingo, 29 de março de 2009

Index Librorum Prohibitorum da pós-modernidade

Notícia retirada do site Omelete:

HQ do Homem-Aranha gera controvérsia em biblioteca escolar nos EUA

Mary Jane de biquini escandaliza o Nebraska

28/03/2009 Érico Assis

Com puritanismo e tempo de sobra, a mãe de um dos estudantes da Norris Elementary School, na cidade de Millard, estado de Nebraska, reclamou em reportagem da TV local KETV que uma HQ do Homem-Aranha com imagens "sexualmente explícitas" chegou às mãos de seu filho, que tem 6 anos.

A mãe, Physha Svendsen, conta que o filho fez "Ohhhh!" e caras de espanto ao ver os desenhos de Mary Jane Watson fazendo poses de biquíni, em uma cena da HQ onde ela está sendo fotografada para um ensaio de moda. Em outra cena, ela aparece de costas nuas após acordar, nos desenhos de John Romita Jr. Segundo a mãe, a HQ é muito popular entre os colegas de seu filho.

O caso chegou à TV, o que agitou a coordenação da escola do filho da senhora Svendsen. Em declaração à KETV, a bibliotecária-chefe da escola disse que todos os livros passam por um processo de seleção rigoroso e que o caso pode ser resultado de uma mudança nos valores locais. Segundo a reportagem, a escola tem até 30 dias para montar uma comissão com professores, administradores e bibliotecários para decidir se a HQ fica na escola ou deve seguir para outro tipo de biblioteca.

sábado, 21 de março de 2009

Mais uma razão para gostar de Grant Morrison

"Nós desconstruímos nossos ícones. Sabemos que políticos são mentirosos filhos da puta, que astros da TV são viciados em cocaína, que os atores bonitos são malucos travecos e que as lindas supermodelos são bulímicas, neuróticas e caóticas. Sabemos que nossos comediantes prediletos vão virar alcoólatras pervertidos ou deprimidos suicidas. Nossos reality shows colocaram um espelho escaldante diante das nossas caras de babuíno e das nossas obsessões óbvias e ridículas pela sujeira mais baixa e a fofoca mais inútil.

Sabemos que acabamos com a atmosfera e matamos os doces ursos polares e nem temos mais energia para sentir culpa. Deixa os pedófilos levarem as crianças. Não há mais a quem recorrer ou culpar, fora, paradoxalmente, aqueles caras levemente medievais que começaram a revolução industrial. No que resta acreditar? O único homem de verdadeira moral, de verdadeiro coração que nos resta é um personagem fictício dos quadrinhos! Os únicos modelos seculares a serem seguidos em uma cultura progressista, responsável, racional-científica e iluminada são... Kal-El, de Krypton, mais conhecido como Superman, e seus descendentes multicoloridos.

Nosso objetivo era colocar Superman e seu elenco no coração de fábulas sci-fi que qualquer pessoa, de qualquer idade, poderia ler e entender, embora cada um fosse entender as histórias de um jeito. Se você acaba de perder seu pai, talvez você leia o que Clark Kent diz no funeral do pai dele e sinta um pouco de comunhão humana. Se você quer sentir como é ser adolescente, veja o fantástico desenho de Frank Quitely do jovem Superman na lua, com seu fiel supercão Krypto ao lado. Superman é nós mesmos, nos nossos sonhos. Ele vive nossas vidas, mas de forma épica. Essa foi nossa abordagem."

Fonte: http://omelete.com.br

sexta-feira, 20 de março de 2009





"Assaltem o Estúdio Realidade e retomem o universo"
William S. Burroughs

Arte de Banksy - www.banksy.co.uk

terça-feira, 17 de março de 2009

O instante vazio

Guardou a bagagem, conferiu novamente o número da poltrona, olhou para os dois lados e sentou-se ao lado do namorado. Apertou sua mão esquerda e deitou a cabeça sobre seu ombro. Sussurrou algo em seu ouvido – ele pareceu ter sorrido –, deu-lhe um beijo e saiu do ônibus enquanto os últimos passageiros se acomodavam. Ele ajeitou os óculos escuros no rosto, inclinou um pouco a poltrona quando ouviu um estalo no vidro. Do lado de fora, a namorada sorria para si mesma, acenava e voltava a bater no vidro. O namorado virou-se para o vidro e acenou sorrindo para a namorada. Mas o ônibus já se movimentava e a namorada havia ficado para trás, deixando o aceno do namorado para uma senhora gorda, que esperava seu ônibus na ponta da plataforma e encarou o gesto com desconfiança. A noite é cheia de instantes vazios.

domingo, 15 de março de 2009

Do berço para Marte

Assisti Watchmen recentemente. Como era de se esperar, não chega aos pés da obra original, mas essa espécie de síntese animada da maior graphic novel de todos os tempos pode configurar facilmente com um, senão o melhor, dos filmes do ano. A despeito de uma evolução de duas décadas na estética cinematográfica não ter alcançando os vôos textuais e imagéticos de Alan Moore, essa não é a questão.
“Um corpo vivo e um corpo morto têm o mesmo número de partículas. Estruturalmente não há diferença. Vida e morte são meras abstrações. Não me preocupo com isso”. - Dr. Manhattan.
Os mais positivistas dos médicos irão garantir que a morte nada mais é do que apenas uma patologia prestes a ser vencida. Por outro lado, esse sempre foi o problema do positivismo, tentar estruturar uma fundação extremamente racional em cima de dogmas completamente irracionais, como o medo da morte, por exemplo. O antropocentrismo é só uma terapia barata para todas as coisas que nos fazem cagar de medo ante suas respectivas inevitabilidades.
Eu gosto muito do Dr. Manhattan. Falar sobre um personagem favorito em Watchmen é muito complicado. Todos eles, cada um deles, são aspectos da humanidade, e versatilidades de uma psique, ou do que interpretamos dela. A fúria excessiva do Rorscharch, para manter o mundo com um sentido claro e nunca se desviar do "caminho certo" que separa o preto do branco, que contrasta veementemente frente à inércia cruel e arbitrária do Comediante, um produto auto declarado do seu meio. Ou Ozymandias, rompendo paradigmas, para o melhor ou para o pior, mas para a transcendência. Até mesmo o panaca do Coruja não nos deixa esquecer do quanto somos patéticos, mesmo quando nos sentimos dominados pelos outros aspectos mais nobres. Ainda assim, o Dr. Manhattan é o personagem mais agoniante e o mais intrigante. Meio passo de homem para Deus, e o quanto os seus pés balançam para esse espaço adiante. A única analogia que consigo fazer é com um bom banho, uma limpeza para higienizar e erradicar todas as odiáveis características humanas e seus conceitos limítrofes com mais idade que a consciência plena.
Quando curarem a morte, eles matam o planeta. É bem complicado...ou não.
"Na minha opinião, ela (a vida) é um fenômeno exageradamente valorizado. Marte se dá muito bem sem um único microorganismo. Sem vida alguma mas com degraus de trinta metros de altura, esculpidos pela areia e vento numa topografia em constante mudança, fluindo e mudando de direção ao redor do pólo em ondas de milhares de quilômetros. Diga-me, que benefício um oleoduto traria para a paisagem de Marte? Que benefício um Shopping Center traria para Marte? Você precisa me contar algo melhor do que isso para me convencer que o seu planeta azul é melhor do que o meu planeta vermelho". - Dr. Manhattan.
O ritual do luto é a maior prova de como o ego impede algumas das compreensões mais simples. "Na natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma". -Lavoisier.
Eles chamam de fim. A mente nublada com o medo de conceber qualquer coisa diferente do habitual leva todas essas ovelhas bípedes aterrorizadas a imaginarem uma vida após a morte. Nada mais desnecessário. Que ao me enterrarem, plantem raízes alucinógenas acima de mim. Que meu corpo morto nutra o vegetal, que minhas partículas decompostas entrem em fusão com água e sais minerais, percorrendo as paredes de um xilema, em sua delicada arquitetura fractal. Que a planta prevaleça comigo dentro de si, até que um xamã, um escritor junkie, ou qualquer possível idiota faça um chá e o ingira. Minhas ex-partículas decompostas, agora não mais minhas, nem da planta e tampouco do possível idiota, mas da unidade que formamos, entrem em comunhão, através de alcalóides inibidores de monoamina oxidas, caótica com aquele sistema elétrico de sinapses. A unidade a prova de qualquer dualidade ou dialética, ou se preferirem, o retorno ao éden.
A vida após a morte existe, e é muito mais harmoniosa do que qualquer vislumbre histérico religioso. Se curarem a morte, interrompem um ciclo delicado, base da constante harmonia do planeta. É como recusar a amputar um membro gangrenado por gostar demais dele. Eu pergunto a qualquer positivista se é lógico deixar um membro estragado condenar o corpo todo. A morte é uma doença? Só se você não ousar a encará-la como uma cura.

domingo, 8 de março de 2009

A humanidade é um projeto falido...

...se você é um ser humano, sorria, sua vida é o último modelo antes da fábrica quebrar.

domingo, 22 de fevereiro de 2009

EQUAÇÕES

Existem jovens cujo hipotálamo é fudidamente mais estimulado por um jogo eletrônico do que por uma garota de 18 anos, com mais experiência sexual, e aparentemente sem nenhum tipo repreensão em compratilha-la. O que faz as acnes desses construtos humanos automizados brilharem é a capacidade com que as malditas calculadoras superdotadas, pós revelocução tecnológica, localizadas em cima de suas mesas podem esquadrinhar e reduzirem em instantes a reação e o comportamento do homom sapiens. Em outras palavras, jogos de hiperrealismo; a companhia ideal para qualquer cretino rejeitado de 15 anos de idade.
Fodam-se, a sociabilização da juventude não é o mérito desse texto. O assustador é saber a capacidade de um maldito CPU, que pode ser encontrado em qualquer camelô, esquadrinhar as ações e coportamento de um homem, em média qualquer um. Seria mérito da máquina? No final das contas, a única coisa que ela faz é resolver equações em velocidades mais velozes do que é possível piscar. Nesse caso, se estamos vendo uma reprodução em stricto sensu de nossas vidas em uma tela de cristal líquido em representações bidimensionias é pela nossa falta de capacidade de agir de modo ignorado pelos dados infurnados nos malditos chips.
Isso me enoja. Quer dizer, pensar na possibilidade de estarmos em padronização cultural demente e espetacular ao ponto de cada batida cardíaca ter sido ritmizada e prevista por um ábaco elétrico. Sintéticamente (aliás, essa palavra parece ser a mais ideal), o script está ai, em todos os equipamentos passíveis de transmissão de informações, e a capacidade de um jogo ser hiperreal é diretamente balanceada na nossa falta de habilidade de improvisar, e trapacear o roteiro. O jogo está fora da tela, está nas ruas, nas mesas de jantar, nos parques de diversões, no sexo, na crueldade e na filantropia; em qualquer relação entre seres vivos.
Não é a primeira vez em que penso isso, então estou bastante convicto. Uma simples digressão questinadora socrática, elevada a um sincronismo populacional poderia fazer cair toda a nossa sociedade ocidental. Entretanto, como as chances de que a única coisa que viremos fazer nesse nível de coletividade será uma matança ou suicídio em massa (e obviamente a máquina já esquadrinhou isso também, para quem quer esteja inserindo os dados), espero angustiado a próxima guerra mundial, que irá girar o fluxo econômico e sanar as crises. Duvido que alguém vire um mictório ao contrário até lá.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Memória Ectoplasmática



Estou há três dias sem dormir dentro desse quarto. Casulos de inseto nas paredes, cinza de cigarro por todos os lados, garrafas de vodka vagabunda, embalagens de CD com resíduos de cocaína, fitas cassetes, cadernos e folhas e mais folhas escritas à caneta bic. “O homem é mais belo que seu parasita intestinal – foi o que a professora de biologia escreveu na lousa naquele primeiro dia de aula...”. Pelo visto, eu tentei escrever durante esses três dias. Mas aquilo tudo era uma grande bagunça, como o quarto, como meu corpo, a minha cabeça...

E a minha cabeça está doendo neste exato momento e o telefone... o telefone está tocando:

– Alô?

– Thomas?

– Sim...

– Você está brincando comigo? Quando você volta a trabalhar? Já se foram mais de duas semanas...

É meu chefe. Eu disse a ele que tive um colapso nervoso e consegui uma licença de uma semana do médico. Ah, sim, eu quero mais é que meu chefe, meu serviço e todos os respeitáveis trabalhadores do mundo se fodam.

– Eu ainda não sei – retruquei –, estou me sentindo mal pra cacete, minhas mãos tremem, vou ao banheiro a cada dois minutos... espumei pela boca um treco esverdeado hoje de manhã, sabe...

– Eu não quero saber dessa palhaçada, Thomas...

– Me escuta... me escuta... eu acho que estou virando... um.. um... UM INSETO!!!

Desligo o telefone na cara do imbecil sem conseguir conter uma gargalhada histérica que me derruba no chão e as coisas ficam mais engraçadas ainda porque durante a queda espatifo com o braço uma das garrafas de vodka e um belo corte de cinco centímetros surge nas costas do meu antebraço. Fico ali, rindo, deitado de barriga para cima, sem me tocar da gravidade do ferimento, enquanto o sangue vaza das minhas veias... ah, meu deus... como é fácil morrer... é só ficar aqui esperando, a vista ficando mais e mais nublada, as forças se esvaindo... Ô CARALHO! – me levanto do chão como num susto: DEUS, SEU FILHO DE UMA ÉGUA, VOCÊ VAI TER QUE FAZER MUITO MAIS QUE ISSO PARA ME MATAR!

Estanco o talho no meu braço com uma toalha e me dou conta de que não há mais cigarros no quarto, na casa... puta que o pariu! – eu preciso de um cigarro e não tenho mais nenhum puto no bolso. É nessa hora que você dá o devido valor para aquelas bitucas, aqueles cigarros fumados pela metade que ficam ali no cinzeiro esperando pacientemente, porque eles sabem que você está sem dinheiro e uma hora vai ficar desesperado pela nicotina que somente ELES podem lhe prover...

As horas passam e Thomas entra em sono profundo. Mas, não, meus amigos, Thomas não morreu. Ele apenas está há três dias sem dormir, perdeu muito sangue e precisa de um bom descanso. Durma com os anjos, Thomas...

E durante doze horas seguidas Thomas teve pesadelos terríveis. Vocês nem imaginam que tipo de coisas Thomas viu em seus sonhos, que tipo de perversões... imaginem presenciar um homem muito parecido com seu pai defecando um buldogue branco; ver um hermafrodita negro violentar a boca de um sapo; ver seu próprio pênis ser tomado por um tipo de bolor azulado que causa uma coceira terrível; espremer pústulas prateadas extremamente esféricas e brilhantes que nascem nas costas de uma jovem atraente; dirigir um filme de ficção científica que acaba se tornando realidade, um filme-realidade em que alienígenas invadem a Terra e a humanidade está fodida de uma vez por todas, porque esses alienígenas são indestrutíveis e a raça humana será extinta desse Universo e a coisa apavorante do sonho é estar ciente de que não há saída, de que todos os seres humanos estarão mortos em pouco tempo e nunca mais veremos um novo dia, pois agora o planeta pertence àqueles que vieram de algum lugar muito distante...

E por horas e horas Thomas encharcou os lençóis de suor frio e sofreu algumas convulsões que levaram a sua memória ectoplasmática de volta aos primeiros anos de infância e ele se viu novamente jogando pedaços de pão velho na lagoa para os patos, mas era preciso acordar porque é muito perigoso retroceder de tal maneira no tempo, mas Thomas continuou... e acordou em um dia ensolarado, banhado pela luz cegante de uma estrela azul, em uma realidade completamente desconhecida por este que vos fala e é melhor não dizer mais nada antes que eles também venham me buscar por eu falar demais.


Hamilton Fernandes, Via Láctea, Tempo Terrestre, América do Sul, São Paulo, 17:57:09, 11 de fevereiro, século XXI D.C.


Imagem: www.devilsoap.com